A Moça

A moça de saia xadrez e sapato de boneca esperava na janela,
Todas as tardes ela esperava. Via o por do sol no horizonte e permanecia, esperando. Com o cair da noite seu coração pulsava, bebia outro copo de café e pensava como pessoas podem viver separadas, estarem em lugares diferentes, vidas diferentes e mesmo assim quando olham no horizonte rumo a um mesmo ponto se sentem mais próximas, menos sozinhas. Ela já não se sentia só nessa noite, pois o tirindar do telefone fez-se vivo e a voz que lhe dera boa noite foi a mais doce e serena que podia existir. Com isso acalmou o coração e se entregara ao sono. E um leve sorriso a acompanhará essa noite. - Oh Moça de saia xadrez, porque deixas-te que fitassem seu coração?


OBS: Texto escrito com ajuda da Angela Kreuzberg, entre emails trocas em plena segunda-feira.

Acróstico nº 3 {Criptografia}









Vamos fugir de tudo que teima em nos deixar parados aqui.
Cansados e exaustos de transitar entre o up e o down, entre in e o out.
Ousamos mudar nossos destinos - pouco. Valorizar os momentos e amar.
Loucura essa de viver lado-a-lado. Acredito ter dado certo, tudo mudou.
Com suas regras e pudores quase indecifráveis pensou que me desafiaria,
sem nem perceber o meu encanto pelo seu modo de jogar...


Experiência Extra-literária

Ele estava deitado, em seu sofá de couro sintetico preto, o tecido já velho tinha alguns rasgos e arranhados feitos por sua gata siamesa que morrera há uma semana. O compromisso se aproximava, ele deveria levantar-se, mais o inebriante aroma de bolo de chocolate que vinha da casa ao lado lhe dera tanto sono que feito morte súbita dormiu. O sono foi tão imediato que em segundos sonhou, com pessoas poucos conhecidas ao som de uma musica muito conhecida por ele. Ouvira claramente Elephant Gun como trilha sonora de seu curta metragem metricamente vivenciado em curtos momentos:


If I was young, I'd flee this town
Se eu fosse jovem, eu fugiria desta cidade
I'd bury my dreams underground
Enterraria meus sonhos debaixo da terra
As did I, we drink to die, we drink tonight
Assim como eu, nós bebemos até morrer, nós bebemos essa noite

E ele acordou, meio em transe, meio bobo, meio zonzo e completamente inspirado. Digitou freneticamente, não sabia ao certo o que escrevia, mais ali estava, no fundo branco do papel digital, toda sua experiência extra-literária vivida em estado ren.
Agora transcrevo tal texto, receba como um depoimento secreto de um amigo, do tipo que você jamais aceitaria e jamais apagaria, ficaria ali na sua pagina inicial, feito prova de um crime. O crime de sonhar.

"E lá se foi o tempo,
Matando todas as promessas. Deixando-nos com cara de taxo ao falar sobre o destino.
Nossos sonhos não eram os mesmos, as cores estavam opacas. Existiam incertezas no ar.
Com o passar dos dias o laço foi ficando apertado, não sabia mais se findar como antes.
Agora estamos fortes e dispostos. Vamos encarar a guerra, o sono, o mundo, a vida...
Usaremos de nossa memória de elefante como arma e ela será suficiente para o confronto.
E se mesmo assim temermos, sempre existirá a grande cena de batalha em que acordaremos,
E o sonho irreal acaba para começar o sonho real. De tempos em tempos há esperança.
Não adianta lutar, pois lá se foi o tempo outra vez."

Video com imagens da miniserie Capitu (Rede Globo)
editado por César Lopes. Musica: Elephant Gun
Composição: Ryan Condon; Zach Condon Interpretação: Beirut