Durante esse ano três vidas mudaram meu modo de observar o mundo. Sem todos os pieguismos de fim de ano, mais realmente mudaram. Uma dessas pessoas já esteve em minha vida durante muito tempo, Às vezes me visitava e trazia alegria e segurança com seu sorriso. Mas nossa historia, cheia de falhas e emendas não poderia dar certo. Nunca me declarei e não recebi nenhum afeto grandioso. Nosso erro. Assim aprendi que não preciso da quantidade e sim de qualidade. Desejo alguém para me ouvir, para sentir seu cheiro. Uma companhia. Logo em seguida conheci uma nova pessoa. Fui muito precipitado. Dessa vez me surgiu de surpresa, foi como uma nova fonte de inspiração. Logo no primeiro instante me senti protegido, respeitado. Apaixonei-me. Sabe aquele tipo de amor onde nos entregamos sem olhar para traz? Foi esse que senti, mergulhei fundo, talvez nem deixei que respirasse. Com isso aprendi a respeitar o espaço alheio, a individualidade. Passei um tempo a espreita, observando tudo a minha volta. Foi ai que a terceira pessoa entrou em minha vida. E ainda está. É estranho, pois mesmo avisado de que isso não daria certo insisti. Pessoas diferentes me atraem, e essa era uma das mais diferentes. Me fez mudar. Foram boas mudanças, acho que amadureci um pouco. Me surgiu com classe, discrição e soube me tratar de uma forma única. Finalmente fui correspondido, era uma pessoa que iria me desafiar. O mais interessante é que me proporcionou as melhores noites, As melhores conversas, os melhores beijos e afeto excessivo. Adorei. Agora tudo me atrai, sua boca, seu toque, suas musicas, sua camisa nova. Mais ainda existe uma insegurança tirando meu sono. Fico com medo. Agora aprendi que ser feliz não depende só de mim e nem só do outro. Ser feliz é um conjunto, expressões de carinho somadas com gestos. Uma formula simples, porém pouco utilizada em meus relacionamentos. Só desejo uma única coisa para esse ano que começa daqui a alguns dias, Gostaria de não ter mais que conhecer outras pessoas. Estou feliz assim. Sou feliz ficando com alguém que ainda tem historias mal amarradas, Alguém declaradamente complicado e que mesmo assim me deu carinho. E agradeço por tudo que me ofereceu, não só o sentimento e a sua pele. Agradeço a todo o momento vivido e que mesmo se o fim estiver próximo, Só me sobram ótimas lembranças. Mais peço ao ano esse presente. Fica comigo?
Feliz 2010 a todos e obrigado por aceitarem algumas doses de ópio destilado.
-->ar conhecer o inicio dessa fabula emocional leia: Clari Evidências.
Muitos ainda não a conhecem, mais ela existe e vive uma historia, nem ela percebeu, mais essa era uma historia de amor. Clara conheceu Emanuel em uma balada. Ele com o olhar instigante, sorriso perfeito e um ar misterioso que há deixou muito tempo divagando idéias tolas sobre como ir atrás do cara que a beijou uma única vez e a ensinou a observar os detalhes.
Treze dias após Clara conhecer Emanuel ela ainda pensava nele. Nunca alguém havia feito isso com ela. Clara tomava o café fraco de sua avó todos os dias e sempre no ultimo gole lembrava-se do instante em que tirou a foto de Emanuel, em meio aos poucos que resistiam a dançar na balada anterior, que se tornou inabalável assim como a canção. Ela voltava a lembrar dele na hora do almoço, sempre na mesma lanchonete, ela não era de variar muito, seu almoço resumia-se a um salgado de presunto e queijo e nas terças e quintas-feiras o especial da casa, a torta de frango que sempre vinha com muita batata palha, mas Clara não gostava do catchup da lanchonete, era picante e isso a fazia se lembrar do beijo forte e arredio de Emanuel naquela noite. Às vezes, antes de dormir, quando ia pegar água na geladeira, vinha uma brisa fresca do congelador, ele estava sem a tampa a algum tempo e essa brisa era semelhante ao frio na barriga que ela sentiu ao beija-lo.
Essas recordações a irritavam, até mesmo no bar onde ela foi no ultimo final de semana, ela viu nitidamente em sua cabeça o rosto dele ao ouvir a introdução de ”Island in the Sun”, era como se ela ouvisse ele lhe dizendo: ”And it makes me feel so fine, I can’t control my brain”.Ela não podia mais permanecer desta forma, era necessário a existência de um ápice, um conflito em sua fabula emocional vivida nesse momento. Decidiu revelar novas fotos, reuniu 15 das melhores, foi ao estúdio de fotografia, com o propósito de ver o sorriso do atendente, que beijava com ferocidade e que ela temia não sentir novamente seus lábios e sua barba mal feita em um conjunto sensível e atraente. Clara sempre foi muito tátil, sentia prazer ao tocar, tatear os detalhes, vivenciar as formas e apreciar as texturas.
Chegando ao estúdio la estava ele, no fundo da loja, revirando alguns papeis, estava de frente a um espelho por onde a viu entrar Ela ficou parada, apoiou-se no balcão e aguardou sutilmente ser atendido. Ele menosprezando o fato do reflexo mais bonito que já viu ter entrado na loja ficou onde estava, fingindo não ter visto ou realmente impondo uma arrogância que era o único traço de sua personalidade conhecido por Clara. Instantes depois ouvisse o soar da campanhia, daquelas antigas que ficam sob o balcão e nunca são utilizadas. Hoje ela foi de grande utilidade, foi o ponto de partida da ruptura do silêncio entre a doce estudante que não aceita o fato de estar apaixonada e um amante que não aceita não ter sido reconhecido pela garota a quem presenteou com inúmeros sorrisos bobos.
Ele veio em sua direção, ela imediatamente varreu um olhar para o seu crachá, se enganou ao pensar que finalmente descobriria seu nome, o crachá tinha um adesivo de smile em cima do nome dele e ela gritou de raiva, gritou em pensamento, mais seria um grito muito estridente se fosse real. Antes que ele falasse algo ela estendeu seu pen-drive, ele recolheu, preencheu a ficha de revelação e finalmente pronunciou a primeira frase trocada por eles depois de mal resolvidamente terem selado um desencontro casual de um fim de semana outrora apreciado:
- Posso revelar todas?
Clara acenou que sim, pagou pela revelação, guardou o comprovante, recolheu as moedas do troco e saiu. Levemente balançava a cabeça como forma de protesto, não gostava nada dessa situação. Nesse momento ela houve a voz do atendente lhe perguntado:
- Posso saber seu telefone?
Ela se vira, coloca o cabelo atrás a orelha, seu brinco brilha perante a luz fluorescente do ambiente e deixa escapar um sorriso fechado, sem mostrar os dentes, não queria demonstrar alegria e nem indiferença, deseja o equilíbrio entre as emoções e assim respondeu:
- E eu? Posso saber seu nome?
Ele retirou o adesivo propositalmente colocado em seu crachá e as letras foram surgindo: E-M-A-N-U-E-L. Ela se aproximou do balcão e sobre a ficha de revelação escreveu o numero de seu telefone. Por mais que desejasse ficar ali e vivenciar o êxtase do momento, ela saiu, foi andando pela rua vagarosamente, se perdendo em pensamentos até ser interrompida com o som de seu celular tocando, ao atender ouviu do outro lado da linha Emanuel:
- O que você vai fazer agora?
Ela pensou, olhou para a porta do estúdio de fotografia e sem hesitar:
- Esperar você me convidar para um café.
Esse foi o primeiro encontro. Um café na esquina do estúdio, ele mostrou que um pouco de canela no café era uma mania particular. Eles passaram a se ver periodicamente, um dia no cinema, outro no teatro, um dia ela desmarcava, outro ele faltava, um dia se beijavam, no outra uma transa, um dia o beijo era o único assunto e em diversas noites conversavam por horas. Clara percebeu que ficar com uma pessoa não era a coisa mais difícil e que ser correspondida era a melhor sensação que existia. Assim como Emanuel investiu em romance, sempre perguntando como foi seu dia, presenteando com bombons e sendo a pessoa mais carinhosa do mundo. Ela se sentia muito atraída por ele, em alguns momentos o sexo era a melhor motivo em se relacionar. Ele elogia seu cabelo, fazia o jantar, massageava seus pés e não a deixava se cansar. Viram-se todos os dias, durante treze dias seguidos, sem deixar de se falar, sem parar de pensar um no outro, sentido a insegurança de um começo, o medo de um fim e o desejo de um meio. Ela via nele um homem forte, mesmo quatro anos mais novo, ele era mais responsável, mais brando em seus extremos e mais doce ao cantar uma musica em seu ouvido. Ele via nela uma pessoa em quem confiar, alguém que depois de fazer amor se podia conversar e confessar dilemas, alguém que mesmo não falando muito lhe dizia tudo que desejava ouvir e que sempre estava disposta a ir onde quer que fosse pra viver essa paixão.
No décimo quarto dia eles não puderam se ver, só se falaram por telefone. Ela em um canto da cidade, ele no outro. Clara pronta para uma formatura, Emanuel se preparando para um balanço. Ele desejou uma ótima noite a ela, ela riu e pediu que ele não dormisse em serviço. Ela sentiu tes
-->ão. Ele sentiu medo.
-->
Todo começo tem que ser assim? Um sempre tentando adivinhar o passo do outro? Clara e Emanuel por uma noite não se viram, por algumas horas não se falaram e isso doeu demais, foi como uma separação. Todo começo é explosivo, o inicio sempre nos parece ameaçado por um rompimento que não esperamos. Mais eles sentiram - ouvindo o timbre da voz um do outro - que estavam em sincronia. Mesmo assim Emanuel ficou com medo. Medo do álcool, medo dos homens, medo de Clara, medo de não confiar no ser humano. Afinal o que é mais passível ao ser humano do que sentir medo?
Hoje acordei em um dia nublado. O almoço foi ao som da chuva fina no quintal. Arrumei meus lençóis com um friozinho muito agradável. O chá das cinco foi embaixo da luz de um sol fraco de fim de tarde. Espero a noite, não me importo se o céu estará cheio de reluzentes estrelas. Nesse dia – um dos mais lindos do ano – eu não trabalhei, não estudei, não me cansei.
Venho por meio desde demonstrar toda minha gratidão por ter amigos como os meus. Não sei como eles conseguiram, mais me enganaram de certa forma e essa foi à melhor enganação vivida por mim. Alguns dias atrás deixei escapar meu desejo por um livro visto em uma banca,esse livro fez meus olhos brilharem, mais estava sem grana e esse não era dos livros mais baratos. Meus amigos (não sei como) conseguiram comprar o livro e me presentear com ele, sem eu ao menos desconfiar de suas artimanhas. Graças a essa cama de gato em que cai, a partir de hoje terei mais fundamentos ao escrever ou digamos no mínimo mais inspiração, pois tal livro almejado chama-se: "Dicionário de cultura literária - 100 citações e 100 personagens celebres.” Não completei essa leitura e mesmo depois de completá-la pretende recorrer a essa obra na medida do possível, já que se trata de um dicionário e esse é o pai de todo redator. Recomendo o livro a todos e agradeço muito aos meus grandes amigos-irmãos-geografos.
Amor
Paixão
Alegria
Satisfação
Indiferença
Angustia
e certamente
Frustração
NOTA DE RODAPÉ: Acredito na teoria em que o coração aprisiona sete sentimentos básicos, dos quais se originam todos os outros. Eles ficam cada um em um espelho, frente-a-frente, lado-a-lado, um-a-um, dia-a-dia, formando um circulo onde podem consolar um ao outro, porém nunca se tocar. Seus reflexos geram sensações que chamamos erroneamente de sentimentos (classifico assim como sentimentos adicionais). Esses podem vir como tristeza, medo, felicidade, harmonia... Entretanto são apenas estados da alma que se transportados para o corpo nos afetam notoriamente.
Se de tudo que sentimos a origem esta nos sentimentos aprisionados, nosso habitual é sofrer, pois como livremente viveremos se em nosso interior existe uma cela que nos limita a sentir? Ainda não conclui essa teoria dos sentimentos aprisionados. Só lancei uma fagulha, pois o estudo ainda avança passo-a-passo.
{ADVERTÊNCIA ! Esse texto foi escrito ao som de Secret do Marron 5, se ler ouvindo tal som os efeitos alucinógenos podem se intensificar.}
Estava eu ali, parado no meio da praça. Olhava ao redor e todos pareciam andar em câmera lenta, eu sei que não existia mais mesmo assim comecei a ouvir a introdução de uma musica desconhecida, tocada no violão e que me fez ter alucinações.
Continuei ali delirando em meu estado rem, mesmo acordado sonhei. Permaneci desse modo por horas, dias, meses. Tornei-me estatua viva. Os pombos, as pessoas, a grama crescendo em volta dos meus pés, tudo me deixava pasmo com essa passividade em que me encontrava.
A praça? Essa se moldou aos meus pensamentos, durante os instantes vividos em meio a multidão inexistente (eternos instantes), o mundo deu uma volta e o dia ficou claro, e a guerra das Malvinas iniciou, e a Itaipu começou a gerar energia, e Bert McCrakennasceu, assim comoGrace Kelly faleceu, e Michael Jackson dançou ao som de Thriller e mesmo assim não interagi com a sociedade, o medo de esquecer-te me condenou a perder minha vivacidade.
E com o passar dos anos minha historia não mudou, a praça foi restaurada, inventaram uma placa e colocaram nos meus pés, uma placa com um nome que não era meu, descreveram uma bela historia, mais ela também não era minha.
O tempo não me deixou envelhecer, minha pele de concreto não tinha rugas, minhas roupas não tinham cor e minhas mãos continuavam segurando o livro por elas escrito. Eu já sabia no dia em que te conheci que o meu caixão seria iludir-me com você. Entretanto decidi viver essa historia, uma historia que já nasceu condenada a morte Fui feliz pois tive seu sorriso, fui feliz nas noites que senti seu cheiro misturado com o meu e permaneci feliz ali na praça. Eternamente divagando hipóteses de como a vida seria ao seu lado.
A leitura repetida conduz à euforia. Euforicamente te leva ao hábito. Habitualmente você cai no vicio. O viciado precisa de um tratamento. Remédio indicado: Ópio destilado.